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AUDIÊNCIA PÚBLICA

COMISSÃO DO SENADO: Jornalista do Intercept Brasil diz que Moro 'corrompeu' o processo judicial

A fala de Glenn acontece durante a audiência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) no Senado, em curso na manhã desta quinta-feira (11)

11/07/19, 12:53

O

jornalista Glenn Greenwald, coautor das reportagens do site The Intercept Brasil sobre as conversas vazadas entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato, acusou o atual ministro da Justiça de “não obedecer ao sistema judicial” e “corromper o processo” durante o tempo que esteve à frente da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná.

A fala de Glenn acontece durante a audiência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) no Senado, em curso na manhã desta quinta-feira (11).

“As mensagens revelam que o comportamento de Moro corrompeu o processo judicial, e que ele mesmo teve um comportamento antiético. Sergio Moro nunca obedeceu ao sistema judicial. E não sou eu que estou falando isso, não é um partido político falando isso, são os próprios procuradores da Lava Jato. Essa denúncia não é sobre ideologia ou posições politicas”, afirmou o jornalista norte-americano.

Ao citar os procuradores, Glenn fez referência ao episódio do vazamentos das conversas em que membros da Lava-Jato se mostraram incomodados com as decisões arbitrárias de Moro e consideraram que o ministro estava atendendo uma agenda política e pessoal.

“Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados", disse a procuradora da Lava-Jato, Monique Checker, em 2018, durante período eleitoral.

MEMÓRIA INCAPACITADA

Questionado pelo senador governista Marcos do Val (Cidadania-ES) sobre o porquê de não submeter à perícia de algum órgão federal o material das conversas recebido pelo The Intercept Brasil, Glenn criticou a técnica usada por Moro de dizer que não se recorda das mensagens supostamente trocadas e disse que o ministro da Justiça possui ‘memória incapacitada’.

“Ninguém acredita em Sergio Moro quando ele diz que não lembra nada do que ele escreveu. Ele lembra de alguns pontos. Pediu desculpas aos membros do MBL quando lembrou, lembrou outras coisas quando eram favoráveis a ele, mas quando o material é muito incriminatório ele não lembra nada”.

Entenda o caso das mensagens vazadas

A série de reportagens do ‘Intercept’ começou no dia 9 de junho, um domingo. Na primeira leva de matérias, o site divulgou uma série de mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol.

Nessa primeira leva, as acusações contra Moro ficaram por conta de um suposto direcionamento que ele dá para a Lava Jato internamente. Entre outros, o portal apresenta mensagens que mostrariam que Dallagnol duvidada de provas contra Lula, além de colaboração proibida do então juiz com o procurador.

Mais tarde, em 14 de junho, o ‘Intercept’ seguiu suas publicações com mais material contra Moro. Nas novas mensagens divulgadas, há um diálogo horas depois do primeiro depoimento prestado por Lula à Lava Jato.

Neste diálogo, Moro teria proposto ao Ministério Público a publicação de uma nota à imprensa. Nela, haveria conteúdo que esclarecesse o que Moro chama de “contradições” do ex-presidente, no que ele se refere como um “showzinho” da imprensa.

“Vem muito mais por aí”

Em entrevista exclusiva ao Yahoo, o jornalista Glenn Greenwald afirmou que os conteúdos divulgados até então eram “apenas o começo”.

Moro não pode dizer que a reputação dele foi destruída. Mas a aprovação dele caiu dez pontos e ainda vem muito mais coisa por aí, a máscara dele [Moro] vai ser derrubada”, afirmou o jornalista na oportunidade.

Defesa apelou, mas STF manteve Lula preso

Houve a percepção, por parte da defesa do ex-presidente, de que as mensagens divulgadas pelo ‘Intercept’ poderiam ajudar a tirá-lo da cadeia.

O STF decidiu, então, julgar dois habeas corpus pedidos pela defesa de Lula, sendo um deles relativo a Moro e que havia tido sua votação suspensa após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Foi o próprio Gilmar que, no início deste novo julgamento, na terça (25), pediu que os ministros considerassem a hipótese de, em caso do HC relativo às acusações contra Moro não fosse julgado, o ex-presidente pudesse esperar o julgamento terminar em liberdade.

Os ministros adiaram a votação do HC por entenderem que a série de mensagens ainda não havia terminado e, com isso, não se podia a chegar a nenhuma conclusão sobre possível uso da Lava Jato por parte de Moro contra Lula. Negaram, no entanto, a liberdade proposta por Gilmar e também pela defesa.
 
Fonte: JL/Yahoo!
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