Segurança, Justiça, Crime e Violência

Eu gritava, só que ninguém conseguia ouvir, diz mulher que viveu 17 anos em cárcere

Luiz Antônio Santos Silva, suspeito pelos crimes, usava caixas de som para que os vizinhos não ouvissem o barulho dentro da casa

Publicada em 01/08/22 às 17:05h - 3 visualizações

por TERRA


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Eu gritava, só que ninguém conseguia ouvir, diz mulher que viveu 17 anos em cárcere
 (Foto: PM)

A mulher que viveu em cárcere privado e em condições precárias por 17 anos, junto com os filhos de 19 e 22 anos, em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, contou que chamava e gritava por ajuda, mas os vizinhos não escutavam.

"Eu fiquei 17 anos em cárcere privado, sofrendo maus-tratos. Ficava sem comida, sem água e apanhando. Meus filhos também: amarrados, apanhavam de fio. E ele enforcava a gente também. Ele já era agressivo mas, com o decorrer dos anos, foi piorando mais. Eu chamava, gritava, só que os vizinhos falavam que não conseguiam escutar. Ninguém conseguia ouvir", disse em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida no último domingo, 31.

Luiz Antônio Santos Silva, marido e pai deles e suspeito pelos crimes, usava caixas de som para abafar os gritos das vítimas dentro da casa. Por causa disso, ele ganhou o apelido de 'DJ' pelos vizinhos. O homem foi preso em flagrante na última quinta-feira, 28.

Segundo o Fantástico, em depoimento à Polícia, ele ficou em silêncio, mas informalmente disse que queria proteger os filhos, que têm deficiência. Silva teve a prisão temporária convertida em preventiva e está em um presídio na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ele vai responder por tortura, cárcere privado, sequestro e maus-tratos. 

Depois de resgatados, a mulher e os filhos receberam atendimento médico e agora estão na casa de parentes. A Secretaria de Saúde do Rio informou à TV que eles receberam suporte nutricional, de hidratação e psicológico, e que os adolescentes só se locomovem no colo de alguém. A instituição disse também que está atendendo a família com todos os serviços socioassistenciais e tratamento psicológico.

PM liberta mãe e 2 filhos mantidos em cárcere privado há 17 anos no RJ
PM liberta mãe e 2 filhos mantidos em cárcere privado há 17 anos no RJ
Foto: Divulgação/PM
Entenda o caso

Na manhã de quinta-feira, 28, policiais militares do 27º BPM do Rio de Janeiro libertaram uma mulher e dois jovens que estariam mantidos em cárcere privado há 17 anos. De acordo com a corporação ao Terra, os jovens - um rapaz de 19 anos e uma moça de 22 -, que seriam filhos da mulher e do suspeito de mantê-los em cárcere, estavam amarrados, sujos e subnutridos. 

A equipe policial localizou as vítimas em uma residência na Rua Leonel Rocha, em Guaratiba, após receber uma denúncia anônima. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e o suspeito foi preso.

Em nota, a Polícia Civil informou que, de acordo com a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande, o caso foi apresentado na unidade por policiais militares. A investigação está em andamento.

Em entrevista para o jornal O Globo, o capitão William Oliveira, chefe do setor operacional do 27º BPM (Santa Cruz), afirmou que a situação do imóvel era precária.

"A situação foge da realidade. Difícil de compreender. Quando a guarnição entrou na casa, encontrou dois jovens amarrados pelos pés e sujos. Havia até fezes no local. Inicialmente, pensávamos que eram crianças, tal era o nível de desnutrição da moça e do rapaz", descreveu.

Segundo o capitão informou ao veículo, a mãe do casal de jovens também era mantida presa dentro de casa. O marido dela e pai das vítimas afirmou aos PMs que não fez nada errado. 

"Ele nos disse que os filhos eram doentes mentais e precisavam estar presos. Quando conversamos com a senhora, ela nos disse que ela e os filhos não saiam de casa há 17 anos. Provavelmente, eles viviam sendo agredidos, mas isso será a Polícia Civil quem irá constatar. O ambiente da casa é um horror. Um imóvel simples, quase sem móveis, sujo e com mau cheiro. A gente que já pensa que viu de tudo nessa vida, nunca imagina que haja algo tão assustador", acrescentou.




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